A importância da Natureza e sua Relação com o Estágio do Homem nos Sítios Vibratórios

  • Post published:28/10/2013

Caros irmãos,

O texto citado abaixo, diz respeito a uma dentre as várias lições que integram o nosso livro “Conversando no Terreiro”. Este alfarrábio editorial, na verdade nada mais é, que um composto de transcrições referentes ás prédicas utilizadas por nós quando da abertura dos Ritos de Louvação ao Orixá Ogum, reminiscentes do ano de 2008. Conforme já divulgado neste “site”, os ritos ocorrem às terças-feiras no templo santuário do AUEA – Agrupamento de Umbanda da Estrela Azul, no horário das 20:30 h.

Ressaltamos, que a causa motivadora da divulgação do aludido texto está relacionada à reportagem exibida pela “Rede Globo”, na última sexta-feira dia 25/10/2013, que trouxe a temática “Natureza”.

Cientes da importância do assunto, compartilhamos com os irmãos que integram a coletividade umbandista o escrito que segue, a fim de contribuirmos com a divulgação de conhecimentos.

Paz e Luz

Marashitan. ————————————————

Lição nº11

Data: 24/06/08

A importância da Natureza e sua Relação com o Estágio do Homem nos Sítios Vibratórios

Saravá! Boa noite! Sejam bem-vindos!

Dando sequência aos diálogos desenvolvidos em nossos encontros semanais, na semana passada, se vocês se lembram e acompanharam atentamente, encerramos, se não me falha a memória, dizendo que a “erradicação da natureza é a extinção da raça humana”.

Hoje, ao retomarmos o tema, ressaltaremos a importância que a natureza tem para todos nós. Nesse contexto, não devemos nos esquecer da relação desta com a Iniciação em suas fases e subfases.

Ao discorremos sobre a Natureza, não há como negar que existe uma relação direta e indireta dela com a nossa capacidade de expressão espiritual. Basta lembrarmos que, intrinsecamente, somos dotados de “tri-unidade”, que se expressa em Essência, Existência e Substância, verdades de uma mesma realidade. Esse é um dos mistérios, há muito tempo estudado pelas muitas escolas esotéricas e herméticas, das quais a Umbanda é uma integrante. Por isso a decodificação de nossa natureza física e hiperfísica, considerada SAGRADA, advindo daí o porquê de sermos chamados de Seres Divinos.

Em especial e em razão da visão de síntese hoje adotada por parte dos umbandistas, o mais correto é entendermos os apontamentos feitos neste texto de forma “una”, sem descaracterizar o fim último, o Espírito. Com isso, queremos dizer que o “Ser Espiritual”, independentemente de sua forma de manifestação e expressão ser densa, sutil ou sutilíssima, estará vinculado a uma dimensão somente possível devido à sua natureza íntima ser moldada e remodelada, segundo os desígnios e supervisão de Espíritos Superiores.

A ênfase é mostrar a interdependência do Ser Humano com tudo e com todos, fato que se inicia da relação do Ser Humano com si próprio (individual), do Ser Humano com outro Ser Humano (bilateral), do Ser Humano com a Sociedade (coletiva), do Ser Humano com a Natureza (Sagrada), do Ser Humano com o Sagrado (Divino).

Explicamos, na semana passada, que, para chegarmos à condição de Ser Humano encarnado, que é a condição terrena, na qual nos encontramos hoje, obrigatoriamente tivemos que passar pela natureza, em sua parte hiperfísica, matriz que deu formação, desde o Reino Mineral, passando pelo Reino Vegetal até que chegássemos ao Reino Animal.

Na ocasião, demos um exemplo bem apropriado quando citamos que o nosso Sistema Esquelético (ósseo) tem relação direta com os minerais e somente foi possível sua configuração a partir desse estágio elementar. O mesmo aconteceu com nosso Sistema Circulatório, relacionado com os vegetais e todo o processo de semi-mobilidade comum ao reino elementar vegetativo. Gradualmente, e seguindo o curso da evolução elementar, chegamos ao Reino Animal, responsável pela nossa parte instintiva, que foi haurida dos animais nos vários degraus de sua escala ascendente.

Avançando um pouco mais, ao dizer que a erradicação da natureza é a extinção da raça humana, não é difícil imaginarmos a razão dessa afirmação. Se fizermos uma análise bem crítica dessa asseveração, veremos que toda a nossa vida, direta ou indiretamente, depende da natureza.

Alguém duvida dessa verdade? Acredito que não.

Vejamos alguns exemplos dessa nossa dependência: o Sol, como fonte primária da vida; o ar que respiramos; o calor que nos aquece; a água que bebemos; a terra que pisamos e nos fornece o alimento, e assim por diante…

Perceberam que, erradicando a natureza, automaticamente seremos também extintos?

De acordo com a Umbanda, é importante dizer que observamos a natureza como a grande “Obra Divina”. Por tal razão, deve-se considerá-la, sem sombra de dúvida, Sagrada, tanto com relação à Ontogênese[1] quanto com relação à Filogênese[2].

Ontogênese é a evolução Humana. É todo processo de formação e progresso natural que o Ser Humano teve e ainda terá que passar. Premissa confirmatória de que todo Homem, mais cedo ou mais tarde, chegará à condição de Anjo. Essa é a sua predestinação evolutiva, que lhe garantirá a confirmação de sua linhagem Divina.

A capacidade de raciocinar que temos hoje e a habilidade intelectual de podermos buscar a “ciência das coisas”, não há dúvida nenhuma, aconteceu desde o período das cavernas e, pela evolução constante, chegamos à condição atual de “Seres Racionais”. Vejamos um conceito mais formal:

“Filogenia (ou filogênese) (grego: phylon = tribo, raça e genetikos = relativo à gênese = origem) é o termo comumente utilizado para hipóteses de relações evolutivas (ou seja, relações filogenéticas) de um grupo de organismos, isto é, determinar as relações ancestrais entre espécies conhecidas (ambas as que vivem e as extintas). Sistemática Filogenética, proposta por Willi Hennig, é o estudo filogenético desses grupos, geralmente com a finalidade de testar a validade de grupos e sua taxionomia. De acordo com esta abordagem, somente são aceitos como naturais os grupos comprovadamente monofiléticos. A Sistemática Filogenética é uma base sobre a qual diversos métodos foram desenvolvidos, dos quais o dominante atualmente é a Cladística.”(http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090324200033AAaCd41)

“Ontogenia (ou ontogênese) descreve a origem e o desenvolvimento de um organismo desde o ovo fertilizado até sua forma adulta. A ontogenia é estudada em Biologia do Desenvolvimento. A ontogênese define a formação e desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação do óvulo até à morte do indivíduo. A ideia de que a ontogenia recapitula a filogenia, isto é, que o desenvolvimento de um organismo reflete exatamente o desenvolvimento evolucionário das espécies, está hoje desacreditada. Não obstante, muitas conexões entre ontogenia e filogenia podem ser observadas e explicadas pela teoria evolucionista”.(http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090324200033AAaCd41)

É importante frisarmos que os índios, aborígenes, ou autóctones — melhor dizendo — são os ancestrais étnicos de nossa raça. Dizem que são vestígios do final de uma raça, que quase foi extinta de nosso Planeta e que são rudes e ignorantes. Com toda sinceridade, temos nossas dúvidas acerca dessa afirmação. Na verdade, os aborígenes possuem mais consciência ecológica do que a grande maioria de nós, considerados homens modernos.

Façamos uma reflexão: somos considerados seres evoluídos pela condição urbana, em razão das inúmeras possibilidades e recursos tecnológicos de informação que acessamos. Será que isso basta para nos tornar possuidores da mesma consciência ecológica dos índios?…Respeitamos a “Terra” como eles respeitam?…Cuidamos da fauna como eles cuidam?… etc.

Respeitar a Natureza, com toda sua exuberância e vida, é ter consciência e gratidão à Criação Divina; é vê-la como extensão do Sagrado. Particularmente, entendemos que ainda não atingimos essa condição. Urge resgatarmos, o mais rapidamente possível, esta CONSCIÊNCIA, para que a dano já causado à natureza, em seus aspectos físicos e hiperfísicos, não seja ainda maior.

Não é inteligente provocar a natureza!

O fato é que acompanhamos, na atualidade, uma mobilização positiva, quase generalizada, dos cientistas e ecologistas, possuidores de provas concretas da interferência negativa do Ser Humano junto à natureza. Nesse contexto, vemos que a preocupação imediata é reverter os processos que causaram tantos desequilíbrios no modus operandis da natureza. Portanto, despoluir o ambiente da Terra, o ar, a camada de ozônio, as águas (rios, lagoas, mares, oceanos e lençóis freáticos) revitalizar as matas, recuperar a fauna, desintoxicar a terra, buscar uma agricultura sustentável e orgânica passou a ser prioridade. Percebam que a ganância desenfreada dos seres humanos destruiu parte de nossa “Casa”, alterando o ciclo e ritmo natural do ambiente planetário em que vivemos. Embora um pouco tarde e tímidos ainda, estamos fazendo o caminho de volta, com o escopo de correção dos erros perpetrados. Esperamos que ainda nos reste tempo.

Como umbandista e praticante que somos, podemos afirmar que nunca passou pela nossa mente destruir a natureza. Muito pelo contrário, sabemos que necessitamos dela, com seus vários “Sítios Vibratórios[3] a nos descortinar o seu potencial físico e hiperfísico. Assim, não podemos alterá-la pelo egoísmo de um ou de muitos; eis que, se desta forma procedermos, influenciaremos o percurso natural evolutivo do Ser Humano. Verdade seja dita, a natureza nos oferece espaços e ambientes que, em sua parte física e hiperfísica, amolda-se e configura potencial que dificilmente encontraremos nos núcleos e aglomerados urbanos. Por inferência, presume-se que é nesses ambientes, chamados de sítios vibratórios, que encontramos a cura para muitos de nossos males. Ao entrarmos em conexão e sintonia com o potencial vibratório desses ambientes, equilibramos nossos corpos demanifestação espiritual[4]. Isso acontece, como já dissemos, devido à nossa relação com os Reinos da Natureza. Esse processo somente é possível devido aos endereços vibratórios[5] que nos conectam com a natureza em seus aspectos físicos e hiperfísicos.

No início de nossa exposição, dissemos que os elementares contribuíram e participaram do potencial de formação das matrizes de nosso organismo denso, capacitando-nos a ter um corpo físico. Foi esse contato e processo, ressaltamos mais uma vez, que nos permitiu que hoje tivéssemos o amparo da vida em sua expressão biológica (anatômica e fisiológica).

Por esse ângulo, podemos entender o porquê de fazermos as oferendas na natureza em seus diversos sítios vibratórios! Por isso, o entendimento de que elas são preceitos, não para os mentores que nos assistem, mas sim para a nossa revitalização pessoal.

Na oportunidade, gostaríamos de dizer que todo Ser Humano deveria saber dessas verdades. Quanto aos praticantes dos cultos afro-ameríndios no geral (Sacerdotes e Dirigentes), precisam estudar e compreender um pouco mais a esse respeito, para instruírem a sua coletividade no que tange a esses fundamentos e realidade.

Não podemos ignorar que a maioria das pessoas, umbandistas ou não, desconhecem os fundamentos dessa relação que envolve, indiscutivelmente, o Ser Humano e a Natureza. Se todos tivessem consciência dos benefícios que a natureza nos oferece, poderíamos buscar o equilíbrio, a estabilidade e harmonia, em seus respectivos sítios vibratórios, todas as vezes que nos sentíssemos doentes.

Dizemos isso justamente por conhecermos parte dos fundamentos nesta ocasião acenados.

Não nos digam que nenhum de vocês jamais foi a um “Sitio Sagrado”, que nunca tomaram banho de cachoeira ou meditaram à sombra de uma árvore ou ficaram a refletir à margem de uma lagoa. Quanto ao mar, não vamos nem perguntar, pois sabemos que uma das grandes curiosidades do mineiro é conhecê-lo.

Não precisamos ser tão específicos para aceitar que, na condição de seres urbanos, necessitamos mais do que ninguém da natureza. Neste caso, temos certeza de que vários de vocês já fizeram caminhada pela mata e se sentiram bem melhor depois.

Por qual razão isso acontece?… Qual o motivo de confabularmos dessa maneira?… Mais uma vez ressaltamos a relação intrínseca que envolve o homem e a natureza.

Refletir com calma sobre esse apontamento nos faz perceber a importância da natureza para todos nós.

Para nós umbandistas, essa é uma relação que precisa ser explorada e estudada, pois a nossa “existência,” repetimos mais uma vez, não se resume tão somente ao campo de expressão objetiva. O que precisamos compreender, e já é um passo importante em nossa caminhada e evolução planetária, é que, se aceitarmos que passamos pelos sítios vibratórios, haurindo e aprendendo com as leis naturais, estaremos nos condicionando a respeitar a natureza.

Talvez a grande maioria das pessoas que integram diretamente a coletividade/terreiro não consiga alcançar os fundamentos que estamos aqui traduzindo e decodificando. Entender todo esse processo não é muito simples. Porém, se aceitamos que a Natureza é Sagrada, já é para todos nós um salto interativo que nos remeterá, ainda que de forma inconsciente, às origens filogenéticas de nossa evolução.

A forma como é preparado e ornado o altar do templo, em dia de rito no AUEA, é uma maneira de valorizarmos os vários recursos que a natureza nos oferece. Utilizamos de vários elementos ligados à natureza, carreadores do poder de axé, a exemplo das flores, das pedras, das ervas, água etc. Todos os elementos utilizados na ornamentação e assentamentos mágicos do santuário são endereços vibratórios a nos ligar, direta ou indiretamente, à natureza. Este é um dos segredos que nos permitem trazer o poder do axé presente na natureza ao ambiente templário. Ao falarmos, posteriormente, de vitalidade e aura templárias, mencionaremos todos esses elementos naturais, presentes neste Templo, na magia dos terreiros.

Uma das coisas que mais nos alegram é termos notícias de pessoas que frequentam o AUEA e comentam com um de seus colegas que estavam desenganadas, devido a um mal considerado incurável, e que obtiveram a cura no Templo. Sei que as doenças de que somos portadores nem sempre são físicas, mas o que possibilita essa cura ou mudança de estado é o Axé, presente no Santuário ou conduzido a ele, se necessário, pelos espíritos elementares.

Algumas pessoas mais curiosas me perguntam como isso é possível. Digo que somente os Mentores Espirituais podem movimentar essa magia. O máximo que nós fazemos, e que de certa forma ajuda, é disponibilizar elementos que facilitem o trabalho deles nesse plano denso.

Quando dizemos que nós, no AUEA, na condição de umbandistas, valorizamos a natureza, a prova está contida na ornamentação distribuída pelo santuário, seja no altar, nas casas de forças ou em outros ambientes, tais como jardins e herbários, cujas plantas sagradas integram este terreiro.

Lembram-se de quando falamos da alimentação e de outros aspectos relacionados à natureza? Todos os nossos apontamentos são para mostrar que dependemos da natureza para quase tudo o que fazemos. A par dessas informações, temos certeza de que vocês serão mais criteriosos em suas avaliações e respeito para a manifestação Divina, que é a Natureza.

Desmintam-me se eu estiver errado: a maioria dos remédios que nos curam não vem ou têm os seus princípios descobertos nos princípios presentes na natureza? Pode até ser que sejam manipulados em laboratórios, tais como os alopáticos, mas o extrato vem ou foi descoberto na natureza.

Então, preservar a natureza é preservar a vida.

Algumas pessoas devem estar se perguntando por que não se divulgam essas informações? Só Deus sabe e eu apenas desconfio

Como disse o Mestre Jesus: o candeeiro quando é acesso não deve ficar debaixo do velador, mas sim em cima do mesmo, para que todos possam vê-lo.

A Umbanda, agindo dessa forma, mostra um caminho para que todos tenham Luz. Talvez, por isso, o velho e saudoso Pai Matta e Silva[6] já dizia: “Umbanda, minha Umbanda Senhora das mil faces, revele-se pelos seus véus aos nossos olhos”.

Tanto foi verdade, que nos presenteou com uma das mais belas orações que conheço.

Ó Senhora da Luz Velada Umbanda de Todos Nós Oh Mãe geradora de Eterna Magia Que ocultas em sua própria Luz a dor nascente das Causas e dos Efeitos. Em súplicas vibramos nossos pensamentos através de tua Grande Lei e pedimos aos teus Orixás, Guias e Protetores, Espíritos que não mais resgatam na penumbra da forma, Que intercedam por nós, aos pés do nosso meigo OXALÁ. Dê-nos sempre essa Luz Força, que pedimos e sentimos, quando na simplicidade de nosso Congá Um humilde Pai Preto, nos fala de ZÂMBI, Estrela Guia, Amor e Perdão. Recebe, portanto, ó Senhora da Banda, a soma das parcelas de nossos renascimentos que pesam na balança de nossos Destinos, desde as Noites da Eternidade.

Ao iniciar o Rito, creio que não me resta pedir mais nada. Assim, um bom rito a todos.

Saravá.

——————————- [1] Relativo ao desenvolvimento do Ser Humano. [2] Relativo ao desenvolvimento da vida no Planeta. [3] Ambientes da natureza (matas, rios, cachoeiras, pedreiras, mar, montanhas etc), conhecidos pelos seus potenciais energéticos e vibratórios. Quando não alterados ou poluídos, em sua dinâmica natural, funcionam como acumuladores e dinamizadores de “elementos arquetipais constituintes” do poder volitivo e operante dos Orixás. Estes ambientes, vibratoriamente, possuem o potencial-unidade de formação da matéria em suas diferentes densidades. Por isso, são respeitados pelos conhecedores da Magia Vegeto-Astromagnética, justamente pelas possibilidades que oferecem à movimentação de energias vitais, que propiciam equilíbrio, estabilidade e harmonia. [4] Mesmo que veículos de expressão espiritual. Resumidamente, totalizam-se em sete, que se configuram em três organismos (mental, astral, físico), permitindo ao Espírito se manifestar de forma integrada às várias dimensões, que variam do sutil ao mais denso. [5] Somente para efeito didático, poderíamos interpretá-los como “pegadas vibratórias”, cujos rastros nos levariam à conectar com arquétipos de origem ligados aos nossos estágios junto à natureza em seus três reinos. [6] Mestre Yapacani (Woodrow Wilson Da Matta e Silva)

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