Umbanda, Kimbanda e Kiumbanda – Necessidade de Distinção

  • Post published:31/12/2012

TEMA: A CASA DE FORÇA DO SR. ONAGURÊ ( EXU GIRA MUNDO) PALESTRANTE: KAOSHAHUM UMBANDA, KIMBANDA E KIUMBANDA – NECESSIDADE DE DISTINÇÃO.Exu está sempre acima dos conceitos que nós, pobres terráqueos, temos sobre o bem e o mal. O conceito de Exu é o de executor da justiça e magia.” (Araphiaga) Muitos equívocos são ainda hoje falados e até mesmo praticados, ao não se fazer a necessária distinção entre Umbanda, Kimbanda e Kiumbanda. Enquanto aludida diferenciação não ficar patente em nossas mentes, jamais compreenderemos o hercúleo trabalho dos Exus, em prol de todos nós, encarnados e desencarnados. Gramaticalmente falando, nestas palavras, Kimbanda e Kiumbanda, a vogal “u” faz extrema diferença.

A dificultar tal distinção, existem inúmeros fatos, a exemplo de algumas religiões que, com ou sem conhecimento de causa, apresentam Exu, como bem ressaltou Arhapiagha[1], como o “agente do mal, agente da magia negra, perverso, cruel e desalmado, cuja função única é ser interesseiro, sensual, briguento, mercenário, e que se refestela com iguarias várias, inclusive com holocausto de animais vários, e, segundo alguns, completamente dementados, chegando a pedir sacrifício de humanas criaturas…”.

Na verdade, as pessoas confundem os KIUMBAS e os EXUS. A colocação feita por Arhapiagha, antes aludida, se encaixa, perfeitamente, na definição do que seja KIUMBA[2], eles sim, ainda agentes da maldade, viventes do submundo astral, e que, após algum tempo e principalmente com a ajuda dos Exus, em um determinando momento serão reinseridos ao grupo dos benfeitores.

A Umbanda trabalha em prol de todos nós, em estrita observância às Leis Divinas e em socorro aos irmãos, encarnados e desencarnados, que se encontram em dificuldades, neste incessante intercâmbio entre os diversos mundos coexistentes nas dimensões físicas, astrais e mentais. Nela se encontram espíritos bons, que não medem esforços e se fazem presente entre nós, com a finalidade de nos ajudar na evolução de nossos comprometimentos cármicos e a superá-los.

Porém, dependendo desse comprometimento cármico, necessário é que trabalhos sejam realizados em locais, no astral, de difícil acesso e junto a espírito que ainda não têm o discernimento necessário para a não realização do mal. É lá que se encontra o reino da Kiumbanda, representado pelos KIUMBAS. Assim, a Umbanda, para chegar até estes espíritos ou para impedir que os mesmos continuem praticando o mal, naquelas moradas e também nesta nossa parada, necessita de trabalhar em sintonia com a Kimbanda, através dos Exus.

Na verdade, a divisão entre Umbanda, a paralela ativa, e Kimbanda, a paralela passiva, ainda se faz, no momento presente, apenas com a finalidade de facilitar a compreensão entre os trabalhos desenvolvidos pelos Exus. Porém, tais paralelas são partes componentes da Umbanda, ambas visando o reequilíbrio dos espíritos, na aplicação da lei da ação e reação, ficando a cargo dos Exus a execução da Justiça Kármica.

Portanto, quando se fala em Exus se fala, necessariamente, em Kimbanda que, a exemplo da Umbanda, trabalha em prol do aperfeiçoamento dos espíritos. A diferença é que Exu executa a lei e, para tanto, necessita estar acima do bem e do mal. Ressalte-se que o mal é passageiro, temporário e, para sermos mais exatos, é estado de consciência.

É certo que, ao cumprir a lei, dependendo do comportamento de determinado espírito, encarnado ou desencarnado, esse espírito também acaba atingido, em razão do comprometimento dele. Entretanto, não é Exu quem fez o mal. É a própria pessoa respondendo pelos atos dela e que, num processo de expurgo, necessariamente, salvo algumas exceções, deverá passar por esta fase, de despertamento consciencial.

Entretanto, quando as fala em Kiumbanda, aí sim estamos no reino da maldade, dos espíritos trevosos. A Umbanda e a Kimbanda trabalham irmanadas no combate aos trabalhos magísticos realizados por esses Kiumbas, rotulados de magia negra. Esses espíritos trevosos geralmente laboram em desfavor ou em perseguição aos desafetos deles e também a pedidos de espíritos outros, encarnados ou desencarnados, que se acabam comprometidos e entrelaçados com a maldade.

Portanto, a Kimbanda, através dos Exus, trabalha em prol de todos os espíritos, executando ordem advinda do ”astral superior!”[3], na busca do equilíbrio desfeito por irmãos nossos, que ainda não estão em condições de compreender que, aqui e no astral, somos todo componente de uma grande família, cujo objetivo maior é o caminhar, rumo ao aperfeiçoamento.

É por tal razão que existe, neste terreiro, esta Casa de Força, Comandada pelo Exu Giramundo que, pelo que tem demonstrado nas giras públicas, é prova cabal de que Exu trabalha em prol do aperfeiçoamento dos espíritos e em plena sintonia com a Umbanda. É demonstração de que Exu repele a maldade, as negociatas, as barganhas espúrias.

1.2. OBJETIVOS DESTA CASA DE FORÇA

Esta casa de força tem por objetivo principal repelir correntes negativas, como também neutralizar correntes magísticas oriundas da baixa magia. Do astral ou até mesmo deste plano material, os Exus manipulam os elementos aqui colocados, transformando a casa em um ambiente concentrador e dissipador de correntes magísticas, livrando, tanto o ambiente como as pessoas que aqui chegam ou a favor de quem aqui é pedido, do impacto de cargas energéticas negativas.

Porém, de reafirmar-se, neste momento, que tais forças são movimentadas em consonância com os Orixás e seus intermediários (Caboclo, Pai Velho e Criança), num perfeito equilíbrio, através do qual os Orixás ordenam e Exu concretiza, da Umbanda com a Kimbanda, todos trabalhando em prol de nosso melhoramento.

Sobre o trabalho de Exu, Marashitan[4], em excelente apostila veiculada internamente entre os membros do AUEA, teve oportunidade de deixar registrado que “Exu, ao manipular, dentro de sua movimentação magística no reino natural, segue ordenação superior de manifestação e dá à energia, na matéria, a forma, o que lhe permite o processo de construção, manutenção e destruição da mesma.”.

Portanto, Exu atua, cosmogonicamente, no homem e no Universo, respeitando as leis de correspondência que nos regem, acionando mecanismos magísticos de construção, sustentação e destruição e, por conseguinte, recolocando a energia em seu estado normal de equilíbrio (nascimento e morte).

É Exu, chamado de Orixá telúrico, o executor e o grande agente da magia, modelando e dando forma à matéria energia, num processo de concretização e transformação de tudo que ocorre na natureza e que carece de movimentação.

Assim, nesta Casa trabalha-se com agregação e desagregação de energia. No processo agregativo há ganho de energia. No desagregrativo perda de energia. E, para compreender esta magia de Exu, temos que entender que matéria é energia condensada e energia é matéria sutilizada. Nós, espíritos encarnados, somos energia concentrada, do ponto de vista orgânico. Desencarnados, energia dissipada, razão de também estarmos, assim como todas as coisas existentes na natureza, inclusos neste processo magístico.

Ressalte-se que, nesta Casa de Força, trabalha-se com energia estática, quando ainda não acionada (movimentada), e com energia dinâmica, quando a Casa, a qualquer dia da semana e em consonância com as forças vigentes, for acionada com observância do dia, lua e horário, colocando os elementos nela existente em movimentação.

O Comandante deste ponto de força (comandante ativo preponderante) é o Senhor Giramundo e sua correspondência passiva é a Senhora Pomba Gira. Há, em cada dia, um Comandante passivo, isto é, na terça-feira o Comandante passivo é o Senhor Tranca Ruas, na quarta o Senhor Tiriri, na sexta o Senhor Marabô, no sábado o Senhor Pinga-Fogo e no domingo o Senhor Sete Encruzilhada.

Nesta Casa de Força acontecem movimentações rotineiras, por exemplo, quando do acionamento dela, em dia de ritos, e especiais, quando foge das movimentações rotineiras e não sejam emergenciais. Com relação às movimentações emergenciais, a Casa de Força é movimentada apenas pelo dirigente mediúnico (Marashitan).

Aproveitamos o momento para ressaltar as advertências do Marashitan, nas prédicas que antecedem cada rito de Exu, aqui no AUEA, com relação ao cuidado que temos que ter ao fazermos algum pedido, certo de que, também Arhapiagha, na obra acima citada, agora às páginas 49, alertou que “é preciso ter cuidado com o que se pede aos verdadeiros Exus, pois muitas vezes nosso estreito horizonte espiritual não nos leva a enxergar o melhor, portanto…”.

Portanto e agora com Arhapiagha, ainda no Exu – 0 Grande Arcano, p. 52, “Não tenham medo, umbandistas ou não, de esclarecer aqueles que ainda teimam associar Exu ao que há de mais escuso no submundo astral, pois ele não é, não foi nem será uma figura ligada às coisas do baixo mundo astral. E,invariavelmente, certos mistérios podem ficar “encobertos” por muitos séculos, mas chegou o momento de estes segredos fluírem, emergirem, chegarem a todos. Com diz Exu Sr… – “Acontece o que acontecer…”.”

Marashitan[5] também nos adverte que “a omissão não justifica nosso medo diante da sociedade, há não ser que estejamos com a consciência em culpa. Precisamos mostrar que nossa fé, a nossa religião, é tão boa quanto às outras instituições que existem e contribuem para o crescimento espiritual do Sr Humano.”, na medida em que o esclarece sobre a espiritualidade.

Fraternalmente,

Newton Teixeira Carvalho (Kaoshahum) _________________________________ [1]NETO, F. Rivas (Arapiagha). Exu – O Grande Arcano, 4ª ed., revisada, atualizada e ampliada, São Paulo: 2011, p. 37. [2] Kiumbas: “espíritos negativos encarcerados no mal e na inércia que não fazem esforço algum para sua ascendência espiritual. Kiumba: do Quicongo “Kiomba!” = espírito das trevas” (cf. Arapiagha, ob. cit. p.70) [3] Regiões altamente iluminadas, campo vibracional dos Espíritos Superiores. [4] OLIVEIRA, Cleber Francisco de (Marashitan). In: Casa de Força do Senhor Ônagurê – Exú Gira Mundo – Apostila de circulação interna no AUEA: Maio de 2007 [5] OLIVEIRA, Cleber Francisco de. (Marashitan). In: Conversando no terreiro – Umbanda. Vol. 1. Gráfica Sempre Viva. Belo Horizonte, 2012, p. 299.


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