A vivência templária, na visão de um Iniciando.

  • Post published:21/05/2014

São muitos os trabalhadores da umbanda que, nas lides do dia a dia do terreiro, perguntam-se: como vivenciar a iniciação Templária, sem prejudicar a si ou ao próximo no processo evolutivo?

Podemos adiantar que a vivência templária do umbandista não é fácil! Não poderia ser diferente. As pessoas se reúnem com suas individualidades e necessidades, e, sendo assim, se não houver cuidado e vigilância por parte de todos, o templo terreiro, inquestionavelmente, tornar-se-á um campo de batalha.

Umbandistas que somos e sabedores do que buscamos, ou tentamos encontrar, precisamos nos conscientizar de que é a nossa ancestralidade que nos direcionará ao reino virginal, de onde nunca deveríamos ter saído. Assim, verdade seja dita, ficamos literalmente perdidos em uma encruzilhada. Saravá, Esséia!

Na procura constante de nos reencontrarmos em espírito, surge uma incógnita a nos perseguir durante o processo evolutivo: qual seria o melhor caminho a seguir, uma vez que nos encontramos na encruzilhada do próprio destino?

É sabido que cada um de nós possui uma forma particularizada de perceber a realidade, mas será que essa percepção é a rota escolhida que nos trará proveitos espirituais? Como aprendemos no dia a dia de terreiro, a sabedoria e a humildade dos “Pais Velhos” podem ser um dos caminhos apontados a nós, individualidades perdidas nos vários caminhos que a vida aponta.

É inquestionável que, durante o processo e caminhada evolutiva humana, possamos contar com a ajuda de outros a nos auxiliar na busca do aprendizado. Ficamos à mercê das escolhas, visto que durante o percurso da conscientização e na inquietude pela falta de convicção, a dúvida é companheira constante que nos alerta quanto ao rumo seguir!

Como vivenciamos o aprendizado no AUEA, e já dito pela espiritualidade que nos conduz, a Choupana do Caboclo Cobral Coral é uma escola iniciática, assim, o lógico é nos mirarmos em nossos mestres. Entretanto, muitas vezes, não temos competência e percepção para assimilarmos as lições deles que, na condição de mestres espirituais ancestrais, concatenam os ensinamentos, progressivamente, a nós alunos.

Nesse contexto, alguns são reprovados e outros aprovados em situações e testes pontuais, que avaliam nossa percepção e consciência da realidade. Desta forma, entendemos que não é demérito algum para o reprovado, e será ignorância deste permanecer no erro. Eis aí a razão que nos chama ao dever, a fim de nos empenharmos na busca do aperfeiçoamento desse e de outros ensinamentos.

Ensina-nos os mestres do AUEA que o verdadeiro conhecimento só é efetivo quando passamos a entender a interiorização pela reflexão, para depois vivenciá-lo na coletividade, surgindo, daí, a exteriorização necessária ao processo coletivo de cooperação. É interessante que, para nós discípulos da umbanda e integrantes da coletividade terreiro da Choupana, esse processo nos é falado constantemente, principalmente, quando na vivência e participação nos ritos de louvação ao Orixá Ogum, que acontecem impreterivelmente todas as terças-feiras, no sagrado templo santuário localizado na Rua Urano, n.º 141, Bairro Vila Satélite, na cidade de BH/MG. Interiorizar para exteriorizar…, para mim, o exercício do poder de vontade. Ogum patacuri orixa

Vivenciamos na condição de médium aprendiz que, no percurso da caminhada coletiva em busca da verdade e realidade espiritual, é necessário tolerância e cooperação de uns para com os outros. Inquestionavelmente, todos nós erramos e acertamos em algum momento desta aludida caminhada. Assim, a relação discípulos e mestres é uma arte para todos que vivenciam a cultura e o axé de um templo ou terreiro.

Observamos que muitos não gostam de críticas, mas, quando construtivas, estas são salutares, como também os elogios. É natural que o ser humano seja elogiado, principalmente, se estiver cumprindo com o dever que para tal se comprometeu, mas também é importante que todos estejam receptivos às críticas, quando não desempenham suas obrigações! Por outro lado, penso que os exemplos, e não os discursos, ainda sejam os melhores meios de incentivar aqueles que insistem em ficar na retaguarda do movimento evolutivo, mesmo que seja no círculo do aprendizado de terreiro. Há sempre novos caminhos…

Particularmente, após vários anos de iniciação no “omolocô”, em que dei a minha “cabeça” ao antigo mestre…, não parei de procurar a minha verdadeira raiz que, no íntimo, impulsionava-me a novos rumos, porque sentia que lá o meu ciclo havia se esgotado por não me contentar, apenas, com os ensinamentos androgônicos. Foi aí que fui aceito pelo meu mestre para iniciar um novo período de vivência mediúnica e iniciática…

Tenho convicção de que o Marashitan é possuidor de ordens e direitos de trabalho, conforme outorgado pela espiritualidade, para dirigir a choupana do Caboclo Cobra Coral. Possui seriedade e comprometimento com a causa umbandista.

Porém, tenhamos em mente que o aprendizado dele, assim como o nosso, é constante, embora em outro nível, óbvio que aferido pelos mentores que o assistem. Entretanto, não podemos nos esquecer de que ele é humano e sofre dos mesmos impactos, desejos, emoções, alegrias e tristezas como nós.

Finalmente, essa é uma simples visão que não deseja ser absoluta. É, apenas, uma forma em que expressamos e traduzimos, individualmente, a nossa vivência particular no terreiro, na qual buscamos pensar e sentir para entender o que representa o compromisso assumido por nós médiuns junto à espiritualidade, cuja causa essencial é servirmos à causa umbandista.

Confiantes e certos, sabemos que o tribunal kármico e a “balança do Arcanjo Mikael” fazem parte do nosso futuro julgamento, que, após o desencarne, somente nossa consciência e obras nos valerão.

Como bem diz uma kurimba do senhor da aferição karmica… “Quem deve paga, quem merece recebe…”.

Abraço fraternal a todos os irmãos.

Sérgio Emanuel Dantas (Oshokapioban) Discípulo do Caboclo Cobra Coral, integrante do AUEA.

18/05/2014 *Revisão: Cleane Drumond.

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